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10 Junho, 2026 | Destaque, Entrevistas

Tânia Lourenço dá vida à Don’Otília, uma marca feita à mão e com memória de família

A criatividade sempre fez parte da vida de Tânia Lourenço. Desde criança que passava horas a pintar, desenhar, personalizar objetos e reaproveitar materiais que, para muitos, já não tinham utilidade. Onde outros viam uma garrafa, uma pedra, um frasco ou um objeto partido, Tânia via possibilidades. Essa forma de olhar para o mundo, com imaginação e vontade de dar nova vida às coisas, acabou por estar na origem da Don’Otília, um projeto artesanal dedicado à bijuteria, especialmente aos brincos.

A Don’Otilia nasceu de um gosto profundo pelas artes manuais, de uma paixão antiga pela bijuteria e de um conjunto de circunstâncias que fizeram a ideia crescer. Inicialmente, Tânia não olhava para este projeto como um negócio, mas como uma forma de expressão criativa. “Para mim, o artesanato tem um encanto especial. Transformarmos as nossas ideias, usarmos a nossa criatividade e vê-la convertida num produto que nós, ou outras pessoas, podem usar, é muito gratificante”, partilha.

O nome Don’Otília é uma homenagem à sua avó materna, uma mulher que Tânia recorda como bonita, elegante e também ligada às artes manuais. Dedicava-se sobretudo à tapeçaria e aos bordados, deixando na memória da neta os grandes tapetes de Arraiolos e os quadros bordados pelas suas mãos. Assim, a marca carrega não apenas peças artesanais, mas também uma herança afetiva e familiar.

O percurso até chegar às peças atuais foi feito de tentativa, erro e aprendizagem. Tânia lembra-se do primeiro par de brincos que conseguiu concretizar tal como tinha idealizado, mas também dos muitos que, antes disso, não ficaram como esperava. Estudou processos, ajustou técnicas, procurou melhores materiais e foi aperfeiçoando o seu trabalho. Hoje, reconhece uma grande evolução entre as primeiras peças e as que cria atualmente, sentindo que consegue colocar as suas ideias em prática com maior facilidade.

Com formação profissional em decoração de interiores e jardins, Tânia sempre teve uma ligação especial à estética, às cores, às texturas e aos ambientes. Durante muito tempo, imaginou que o seu caminho criativo estaria mais ligado à decoração, outra das suas grandes paixões. No entanto, a bijuteria acabou por lhe abrir uma nova direção, inesperada, mas muito feliz.

O processo criativo da Don’Otília nasce de muitos lugares. Pode surgir de um padrão visto numa peça de roupa, de uma combinação de cores encontrada nas redes sociais ou até do próprio estado de espírito da artesã. Em dias mais alegres, Tânia tende a escolher cores vivas, flores e texturas mais elaboradas. Em dias de maior cansaço, surgem tons mais escuros, neutros e peças mais simples. Cada criação acaba, assim, por refletir um pouco da energia de quem a faz.

Para Tânia, o trabalho feito à mão tem uma dimensão muito própria. “Diz-se que o trabalho feito à mão é feito com amor, e eu acredito nisso”, afirma. É esse cuidado, essa intenção e essa entrega que fazem com que uma ideia inicial possa transformar-se durante o processo e resultar numa peça ainda mais especial. Entre as criações que mais a marcaram está uma coleção pensada para a sua mãe, feita com carinho e para oferecer. Curiosamente, acabou por ser uma das mais vendidas.

Atualmente, as peças mais procuradas são as de tons claros, como branco, bege e cinza, cores neutras e fáceis de conjugar no dia a dia. Também as peças médias e pequenas têm tido maior procura, pela sua praticidade, enquanto as maiores acabam por ser escolhidas para ocasiões especiais. A adesão do público tem surpreendido e deixado Tânia profundamente grata.

Por detrás da Don’Otília está também uma mulher que não se assusta com a mudança. Tânia define-se como alguém que procura ser feliz, tanto profissional como pessoalmente, que não se acomoda ao que deixa de fazer sentido e que continua a sonhar, acreditar e procurar o lado positivo das coisas. Criativa, sensível, teimosa e impulsiva, gosta de socializar, mas também valoriza os seus momentos de silêncio. Adora o pôr do sol, o mar e, acima de tudo, orgulha-se profundamente de ser mãe de dois filhos.

A jovem empreendedora faz ainda questão de agradecer a quatro mulheres que considera fundamentais para a visibilidade da marca: Carina Martins, que tem as suas peças no gabinete no espaço Shee; Sara Leal, da Maison Beauty; Vitaliya Vintonyak, do espaço Bloom Inspo; e Filipa Almeida, bodypiercer, que levou as peças da Don’Otília até ao Ribat Tattoo Atelier, em Portimão.

“Sem elas, a Don’Otília nunca teria a visibilidade que tem tido”, reconhece Tânia Lourenço, deixando também uma palavra de gratidão pela oportunidade de divulgar a sua marca e o seu trabalho.

Feita de criatividade, memória, afeto e persistência, a Don’Otília é mais do que uma marca de bijuteria artesanal. É um projeto com raízes familiares, com alma feminina e com a beleza própria das coisas feitas à mão.