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20 Abril, 2026 | Entrevistas

José Candeias: do campo à presidência, uma vida dedicada ao futebol

Ao dia 1 de janeiro, há 45 anos, nascia em Moura,Alentejo, José Domingos Branco Candeias — um homem que desde cedo carregou consigo uma paixão inabalável pelo futebol. Ainda em criança, a bola era presença constante no seu dia a dia, sinal claro de um percurso que viria a ser marcado pelo desporto-rei.

Zé Candeias
Zé Candeias

Iniciou a sua formação no Futebol Clube de São Luís, seguindo depois para o Sporting Clube Farense, onde consolidou o seu crescimento enquanto jogador. Já no escalão sénior, representou vários clubes da região algarvia, destacando-se passagens pela Sociedade Recreativa Almancilense, Associação Cultural de Salir, Juventude Sport Campinense e Sport Faro e Benfica — clube onde viveu alguns dos momentos mais marcantes da sua carreira, incluindo uma descida e consequente subida de divisão, além de uma experiência na direção.

Vestiu ainda as cores do Grupo Desportivo e Cultural dos Machados e teve passagens pelo futsal no Inatel, antes de, em 2015, iniciar uma ligação duradoura à União Desportiva Recreativa Sambrasense. Ao serviço do clube, soma já mais de duas centenas de jogos e foi peça importante na subida de divisão em 2016/2017.

Paralelamente ao percurso desportivo, construiu também um sólido trajeto académico. É licenciado em Engenharia Civil pela Universidade do Algarve.

Atualmente, mantém-se ligado ao futebol como treinador de juvenis na Sociedade 1º de Janeiro, continuando a transmitir valores e conhecimento às gerações mais novas e  até ao final da época jogador da UDRS.

Com um forte espírito associativo, que considera essencial para o desempenho das suas funções, assume agora a presidência da União Desportiva Recreativa Sambrasense.

 Ao lado de Susana Vilhena, com quem construiu a sua família, é pai de Lourenço e Vicente — os seus maiores pilares e companheiros nesta caminhada.

Humilde, observador, estratega e companheiro, o eterno capitão abraça agora um novo desafio: liderar o clube do coração com a mesma dedicação com que sempre o representou dentro de campo.

ENTREVISTA

José para os amigos. Candeias no futebol. É assim? Como te defines enquanto pessoa e Homem?

É curioso, porque ao longo da vida fui sendo tratado por vários nomes, cada um com o seu significado. Em Moura, de onde sou natural, chamam-me Zé Domingos, por causa do meu avô — um nome que carrego com muito orgulho. Entre familiares e amigos mais próximos, sou simplesmente o Zé. No futebol, ficou o Candeias. E ainda houve uma fase, nos tempos do Farense, em que um grande amigo, o Ricardo Clemente, me começou a chamar “Gandy”, e esse nome acabou por ficar entre os colegas dessa altura.

Mas mais do que os nomes, defino-me pela forma como encaro a vida. Sou uma pessoa muito comprometida com tudo aquilo a que me proponho. Gosto de fazer as coisas com responsabilidade e equilíbrio. Sou bastante ponderado, especialmente na parte financeira — não sou dado a extravagâncias, prefiro dar passos seguros, sempre do tamanho certo.

Tenho um gosto natural por ajudar os outros e por promover um bom ambiente entre as pessoas. Acredito muito na importância da convivência saudável, do respeito e de regras justas no dia a dia. Sou calmo, observador e sei escutar. Gosto de analisar antes de agir e, sempre que posso, procuro inspirar e incentivar quem está à minha volta a partilhar ideias.

Adoro trabalhar em equipa. A componente social e o contacto com diferentes pessoas trazem-nos aprendizagem e crescimento. Sou muito defensor de que as decisões devem ser partilhadas — acredito mesmo que duas cabeças pensam melhor do que uma.

Tenho também uma boa capacidade de memória, o que me ajuda a recuperar experiências e conhecimentos de situações passadas e aplicá-los de forma mais consciente no presente. No momento de decidir, tento ser sempre lógico, objetivo e manter os pés bem assentes na terra.

Há quantos anos estás ligado ao futebol e ao associativismo?

Posso dizer que o futebol faz parte de mim desde sempre. A minha primeira inscrição oficial como jogador remonta à época 1994/95, no FC São Luís, mas, muito antes disso, já era aquele miúdo que levava uma bola para todo o lado.

Ao longo dos anos, tive a oportunidade de passar por vários clubes que marcaram o meu percurso, desde a formação no SC Farense até à experiência como sénior em emblemas como Almancilense, Salir, Juventude Campinense, Faro e Benfica e Machados. Atualmente, continuo a representar a UDR Sambrasense, clube ao qual estou profundamente ligado e onde já vou na 11.ª época. No total, são já 32 anos dedicados ao futebol enquanto jogador.

Como treinador, iniciei o meu percurso na época 2011/2012, como adjunto nos juvenis da Sociedade Recreativa 1.º de Janeiro. Desde então, fui passando por vários escalões, acompanhando equipas de futebol de 7, petizes, traquinas e, mais recentemente, os juvenis, escalão que treino atualmente. Paralelamente, encontro-me a frequentar o estágio para o Nível II do Curso de Treinador de Futebol, procurando sempre evoluir e crescer nesta área.

Tive também uma experiência muito enriquecedora no Grupo Desportivo e Cultural dos Machados, como adjunto da equipa sénior feminina, onde, em duas épocas, conquistámos títulos importantes: um campeonato distrital, duas Taças do Algarve, uma Supertaça do Algarve e ainda a Taça Sul.

Na UDR Sambrasense, vivi igualmente o futebol a partir do banco, como treinador adjunto da equipa sénior na época da subida em 2016/2017. Passei ainda pelos juniores como treinador principal, pelos Sub-23 e voltei a desempenhar funções como adjunto em diferentes momentos, sempre com um forte sentido de compromisso com o clube.

No associativismo, o meu percurso começou em 2010, como vogal na direção do Sport Faro e Benfica. Mais tarde, estive ligado à Casa do Benfica de São Brás de Alportel, primeiro como suplente da Mesa da Assembleia Geral e depois como vice-presidente, funções que desempenhei até 2025. Tive ainda uma breve passagem pela direção da Sociedade Recreativa 1.º de Janeiro.

Em 2023, assumi funções como vice-presidente da UDR Sambrasense, cargo que desempenhei até às últimas eleições.

No fundo, são mais de três décadas ligadas ao futebol e muitos anos dedicados ao associativismo, sempre com a mesma paixão, sentido de responsabilidade e vontade de contribuir para o crescimento dos clubes e das pessoas que fazem parte deles.

O que te levou, ao fim de tantos anos como jogador, a ambicionar o papel de Presidente da UDRS?

Acredito que este percurso foi sendo construído de forma natural. Logo na minha primeira época na UDR Sambrasense, em 2015/2016, fui nomeado capitão de equipa pelos meus colegas, o que já demonstrava a confiança que depositavam em mim e o sentido de responsabilidade que sempre procurei assumir dentro do grupo.

Mais tarde, em 2023, ao ser convidado para Vice-Presidente, tive a oportunidade de conhecer o clube por dentro, numa vertente mais organizativa e estratégica. Foi uma experiência que me marcou muito, porque me permitiu participar na tomada de decisões sempre com um único objetivo: o bem do clube.

Ao longo deste percurso, fui também criando laços muito fortes — não só com os elementos da direção, mas com toda a estrutura e comunidade envolvente. As amizades, o ambiente vivido e, acima de tudo, o carinho que sempre senti por parte do clube ao longo destas 11 épocas fizeram-me olhar para a UDR Sambrasense de uma forma ainda mais especial.

Vestir esta camisola deixou de ser apenas um orgulho enquanto jogador e passou a ser um verdadeiro sentimento de pertença. Foi aí que comecei a perceber que queria dar ainda mais ao clube, retribuir tudo aquilo que me proporcionou e, um dia, assumir a liderança de um projeto em que acredito profundamente.

Ambicionar a presidência nasce precisamente desse amor, desse compromisso e da vontade genuína de continuar a fazer crescer este clube que tanto significa para mim.

Consideras ter a capacidade de ser imparcial estando também ligado à Sociedade 1.º de Janeiro?

Sim, considero que sim, porque as funções que desempenho em cada clube são totalmente distintas e bem definidas. Na Sociedade Recreativa 1.º de Janeiro sou apenas treinador do escalão de 2014, com atletas de 11 e 12 anos, e o meu foco está essencialmente na formação — não só desportiva, mas sobretudo humana. Procuro transmitir valores, princípios e contribuir para o crescimento destes jovens enquanto homens, algo que considero fundamental nos dias de hoje.

Já na UDR Sambrasense, o nível de responsabilidade é completamente diferente. Aqui, o desafio passa por gerir um clube, com tudo o que isso implica. Apesar do futebol ser a modalidade principal, o clube tem vindo também a crescer noutras áreas, como o boccia, que nos tem dado enormes alegrias. Aproveito para reconhecer o trabalho dos atletas e de todos os que têm contribuído para a projeção da modalidade a nível nacional.

Quanto à imparcialidade, ela não é apenas uma intenção, é algo que já demonstrei na prática. Houve períodos em que acumulei funções como treinador na Sociedade 1.º de Janeiro e como adjunto nos juniores da UDR Sambrasense, e em todos os momentos o meu trabalho foi pautado pelo profissionalismo e pelo respeito absoluto pelos atletas.

Neste momento, não existe qualquer conflito entre os escalões dos dois clubes, e o que se vive é um ambiente de respeito e cooperação. No fundo, todos trabalhamos para o mesmo: o desenvolvimento dos jovens e a valorização de São Brás de Alportel no panorama desportivo regional — e, quem sabe, um dia a nível nacional.

Que objetivos ambicionas para o clube a nível desportivo e cultural?

A nível desportivo, temos uma visão clara: para ambicionarmos patamares mais elevados, é fundamental construir uma base financeira sólida e sustentável. Só assim podemos crescer com segurança. Nos seniores, mais do que pensar apenas em subir, o grande desafio passa por consolidar a equipa e garantir a sua permanência na 1.ª divisão, criando estabilidade a médio e longo prazo.

Outro foco essencial está na formação. Queremos reforçar a ligação entre os juniores e a equipa principal, aproveitando o talento que é formado dentro de casa. São Brás de Alportel tem atletas de grande qualidade, e o nosso objetivo é criar condições para que esses jovens queiram representar o clube da sua terra. Esse será um dos pilares do nosso trabalho: valorizar o que é nosso e dar oportunidades reais de crescimento.

No boccia, vivemos um momento muito positivo. O caminho passa por continuar a acompanhar esse crescimento, mas, acima de tudo, preservar aquilo que torna esta modalidade tão especial: a alegria, o entusiasmo e o espírito dos atletas. A felicidade deles será sempre a nossa maior conquista.

No plano cultural e social, queremos um clube cada vez mais próximo da comunidade. Pretendemos dinamizar a sede com novas iniciativas e atividades — já demos passos com o judo, mantemos aulas de dança e pilates, e queremos introduzir novas dinâmicas, como matinés e outros momentos de convívio. As nossas tradições serão para manter e valorizar, como a Festa do Emigrante e o aniversário do clube, mas também queremos estar mais presentes na vida da vila, participando em eventos do município e marcando presença em locais estratégicos, como o mercado.

Paralelamente, há uma forte aposta na comunicação e na valorização da identidade local. Queremos manter o jornal em papel, preservando essa ligação tradicional à comunidade, mas também apostar de forma decidida no digital. A ideia passa por modernizar a forma como comunicamos, aproveitando conteúdos como entrevistas para criar formatos em vídeo, tornando a informação mais dinâmica e acessível.

Mais do que informar, queremos promover o jornalismo local e regional, dando voz às nossas gentes e às suas histórias. É também uma forma de chegar aos muitos emigrantes que estão longe, mas que continuam ligados à sua terra — levando-lhes notícias, vivências e um pouco do que se passa em casa.

E ainda estabilizar o clube a nível financeiro, só assim, poderemos concretizar todos os objetivos, a vertente financeira é, para mim, um ponto essencial. Sou uma pessoa naturalmente prudente e acredito que o clube deve ser gerido com esse mesmo rigor — com equilíbrio, sustentabilidade e sempre a dar passos seguros, de acordo com a sua realidade.

E por último, manter a proximidade com os sócios, o verdadeiro património e coração do clube. É por eles e para eles que o clube luta para ser melhor! Por isso, associem se, regularizem as quotas e ajudem a União Sambrasense!


Isa Vicente
Chefe de Redação ” Jornal O Sambrasense”

Contactos: 919506381