“(…) o seu sonho de menino era construir uma casa para ele e para a sua família. “

Paulo Jorge do Carmo Abreu, natural do Montijo, mas sambrasense de coração, com um longo percurso na construção civil, era um homem sociável e bem-falante.
Em entrevista ao Sambrasense, os filhos Samuel e Tomás, recordam a saudade do pai que viram partir ao dia 19 de março há já 13 anos após um trágico acidente numa obra.
A dedicação, amor e exemplo de força permanece no coração destes filhos que neste Dia do Pai o honram e partilham o seu legado.
ENTREVISTA
– O que é que ouviam falar da infância do vosso pai?
O nosso pai era natural do Montijo, mais concretamente, do Centro do Bairro da Bela Vista, foi aí que nasceu e viveu até aos dois anos de idade. Depois veio para o Algarve, para o Sítio do Tesoureiro, onde viveu até aos 15 anos. Frequentou a Escola do Alportel, mas não foi aí que concluiu os estudos.
Uma família numerosa, três rapazes e três raparigas, uns ficaram pela Moita, outros em S. Brás de Alportel e até em Madrid. Neste momento apenas três irmãs do nosso pai estão vivas e com saúde.
Na juventude foi viver para a Moita com a irmã mais velha onde permaneceu até aos 22 anos. Foi lá que acabou por concluir os estudos à noite enquanto já trabalhava.
– Com que idade começou então a trabalhar?
Começou a trabalhar muito cedo com apenas 14 anos na construção civil, área que seguiu até ao seu último dia de vida. Um trabalho que é bastante exigente, envolvendo muita disciplina, resistência e habilidade prática.
O seu percurso começou como servente, anos mais tarde, já com alguma experiência passou a pedreiro e em 2006 arriscou e começou a trabalhar por conta própria.
– Qual era o seu sonho de menino?
Pelo que nos disseram (a irmã mais velha), o seu sonho de menino era construir uma casa para ele e para a sua família.
Infelizmente não conseguiu construir a casa de sonho, mas conseguiu ter a sua família de sonho.
– Quando é que conhece a vossa mãe?
Ele conhece a nossa mãe mais ou menos um ano depois de voltar da Moita, no auge dos seus 23 anos, numa matiné, na União Sambrasense, nas aclamadas matinés, algures pelo ano de 1984.
A nossa mãe conta-nos que ele já conhecia a futura sogra e que a abordou perguntando quem era a sua filha e a nossa avó apontou para o meio da pista de dança onde estava a nossa mãe a dançar. Ele foi ter com ela e pediu para dançar e desde esse dia começaram a frequentar as matinés juntos, a conhecer-se melhor até que começaram a namorar.
Após um ano de namoro começaram a viver juntos e ao dia 23 de março de 1989 casaram pelo registo.
– Paulo, partiu precocemente aos 50 anos. O que aconteceu nesse dia?
O nosso pai tinha uma obra na Campina, numa casa, estavam a remodelar e nesse dia estavam a tirar as tábuas de madeira do telhado. Depois de almoço ele foi à obra e subiu ao telhado para verificar qualquer coisa. Deve-se ter distraído e desequilibrou-se. Caiu fatalmente e acabou por não resistir aos ferimentos. Foi declarado o óbito no local, numa segunda-feira, dia do Pai, 19 de março de 2012.
– Como é que se recordam de ser a vida depois sem o pai?
Recordamos com muita saudade… nunca mais nada foi igual. Ficou sempre a faltar um pilar da casa.
Sentimos falta da sua presença e companhia. Os passeios e brincadeiras que gostávamos de fazer com ele. Ele adorava ir de fim-de-semana à Moita, era algo, que fazíamos duas a três vezes por ano.
– Para quem não o conheceu como é que vocês o recordam?
Ele dava-se com toda a gente, conhecia muitas pessoas e arrisco-me a dizer que em São Brás quase toda a gente sabia quem era o Paulo Abreu.
Um homem falador e sociável, metia-se com toda a gente, sempre com uma brincadeira.
No Verão, depois do jantar, era costume ir beber o cafezinho com a nossa mãe, depois iam para o jardim perto da nossa casa onde ele metia a conversa em dia e relaxava após um dia de trabalho.
Isa Vicente